Arcadismo ou neoclassicismo

  • Questão 1

    (Unifesp) No Brasil, o homem de estudo, de ambição e de sala, que provavelmente era, encontrou condições inteiramente novas. Ficou talvez mais disponível, e o amor por Doroteia de Seixas o iniciou em ordem nova de sentimentos: o clássico florescimento da primavera no outono.

    Foi um acaso feliz para a nossa literatura esta conjunção de um poeta de meia idade com a menina de dezessete anos. O quarentão é o amoroso refinado, capaz de sentir poesia onde o adolescente só vê o embaraçoso cotidiano; e a proximidade da velhice intensifica, em relação à moça em flor, um encantamento que mais se apura pela fuga do tempo e a previsão da morte: 

    Ah! enquanto os destinos impiedosos
    não voltam contra nós a face irada,
    façamos, sim, façamos, doce amada,
    os nossos breves dias mais ditosos.
     
    (Antonio Candido)

    Nos versos apresentados por Antonio Candido, fica evidente que o eu lírico

    a) reconhece a amada como única forma de não sofrer pela morte.
    b) se mostra frustrado e angustiado pela possibilidade de morrer.
    c) considera o presente desagradável, tanto quanto a morte iminente.
    d) se entrega ao amor da amada para burlar o tempo e atrasar a morte.
    e) convida a amada a aproveitar o presente, já que a morte é inevitável.

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  • Questão 2

    (Unifesp) No Brasil, o homem de estudo, de ambição e de sala, que provavelmente era, encontrou condições inteiramente novas. Ficou talvez mais disponível, e o amor por Doroteia de Seixas o iniciou em ordem nova de sentimentos: o clássico florescimento da primavera no outono.


    Foi um acaso feliz para a nossa literatura esta conjunção de um poeta de meia idade com a menina de dezessete anos. O quarentão é o amoroso refinado, capaz de sentir poesia onde o adolescente só vê o embaraçoso cotidiano; e a proximidade da velhice intensifica, em relação à moça em flor, um encantamento que mais se apura pela fuga do tempo e a previsão da morte: 

    Ah! enquanto os destinos impiedosos 
    não voltam contra nós a face irada, 
    façamos, sim, façamos, doce amada, 
    os nossos breves dias mais ditosos.

    (Antonio Candido)

    Em seu texto, Antonio Candido refere-se  ao poeta ____________, que tornou ____________ como tema de sua lírica. 

    Os espaços da frase devem ser preenchidos com 

    a) renascentista Luís Vaz de Camões | Inês de Castro 
    b) árcade Tomás Antônio Gonzaga | Marília
    c) romântico Gonçalves Dias | a natureza
    d) romântico Álvares de Azevedo | a morte
    e) árcade Bocage | Marília

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  • Questão 3

    (Unesp) LXIV 


    Contraste entre a vida campestre e a das cidades 

    Nos campos o vilão sem sustos passa, 
    Inquieto na corte o nobre mora; 
    O que é ser infeliz aquele ignora, 
    Este encontra nas pompas a desgraça: 

    Aquele canta e ri; não se embaraça 
    Com essas coisas vãs que o mundo adora: 
    Este (oh cega ambição!) mil vezes chora, 
    Porque não acha bem que o satisfaça: 

    Aquele dorme em paz no chão deitado, 
    Este no ebúrneo leito precioso 
    Nutre, exaspera velador cuidado: 

    Triste, sai do palácio majestoso; 
    Se hás-de ser cortesão, mas desgraçado, 
    Antes ser camponês, e venturoso. 

    (BOCAGE, Obras de Bocage. Porto: Lello & Irmão – Editores, 1968.)

    O tema do soneto apresentado, do neoclássico português Bocage, se enquadra numa das linhas temáticas características do período literário denominado Neoclassicismo ou Arcadismo. Aponte essa linha temática, comprovando com elementos do próprio poema.


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  • Questão 4

    (Unama) Leia os textos a seguir para responder à questão.

     

    Vem, ó Marília, vem lograr comigo
    Destes alegres campos a beleza,
    Destas copadas árvores o abrigo:
     
    Deixa louvar da corte a vã grandeza:
    Quanto me agrada mais estar contigo
    Notando as perfeições da natureza!
    (BOCAGE. Obras de Bocage)

    Bye bye Brasil
    (...) Mulher Nordestina: Meu santo, minha família foi embora, meu santo... Olha, fiquei só com meu velho que morreu semana passada. Mas quero ver o meu povo, onde ele estiver, cê me entende, não? Meu santo, me diga, ocê tá me ouvindo, onde é que eles foram, meu santo? (...)
    Lord Cigano: E eu sei lá? Como é que vô saber? (...) Ei, pera aí, deixa eu ver! Olha, eu tô vendo: eles estão num vale muito verde onde chove muito, as árvores são muito compridas e os rios são grandes feito o mar. Tem tanta riqueza lá, que ninguém precisa trabalhar. Os velhos não morrem nunca e os jovens não perdem sua força. É uma terra tão verde... Altamira! (...)
    (In: filme Bye bye Brasil. Escrito e dirigido por Cacá Diegues)

    Os escritores clássicos gregos e latinos produziram certas fórmulas de expressão que, retomadas ao longo dos tempos, chegaram até nossa modernidade. Tomando por base esse comentário, as duas estrofes do soneto do poeta neoclássico português Bocage e os fragmentos dos diálogos de uma sequência do filme Bye bye Brasil, escrito e dirigido pelo cineasta brasileiro Cacá Diegues, indique qual dessas fórmulas de expressão está evidente nos dois textos.
     
    a) Inutilia truncat, ou seja, as inutilidades devem ser banidas.
    b) Carpe diem, ou seja, aproveitar o dia, viver o momento presente com grande intensidade.
    c) Aurea mediocritas, ou seja, aparar as demasias da natureza e do sentimento.
    d) Locus amoenus, ou seja, a evocação literária de um recanto bucólico, cuja tranquilidade serve de cenário.

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  • Questão 5

    (UFV) O carpe diem é um dos temas recorrentes na poesia do Arcadismo que também pode aparecer na poesia de outros estilos de época. Dentre as alternativas a seguir, assinale aquela que NÃO apresenta um exemplo desse tema:

     
    a) Tristes lembranças! e que em vão componho
    A memória da vossa sombra escura!
    Que néscio em vós a ponderar me ponho!

    (COSTA, Cláudio Manuel da. Poemas escolhidos. Rio de Janeiro: Ediouro, 1997. p. 49.)
     
    b) Ah! não, minha Marília,
    Aproveite-se o tempo, antes que faça
    O estrago de roubar ao corpo as forças,
    E ao semblante a graça!

    (GONZAGA, Tomás Antônio. Marília de Dirceu. São Paulo: Martin Claret. 2009. p. 48.)
     
    c) Gozai, gozai da flor da formosura,
    Antes que o frio da madura idade
    Tronco deixe despido, o que é verdura.

    (MATOS, Gregório de. Poemas escolhidos. São Paulo: Cultrix, 1976. p. 320.)
     
    d) Amanhã! — o que val’, se hoje existes!
    Folga e ri de prazer e de amor;
    Hoje o dia nos cabe e nos toca,
    De amanhã Deus somente é Senhor!

    (DIAS, Gonçalves. Poesia e prosa completas. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1998. p. 444.)

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  • Questão 6

    (Ufscar) Lira III


    Tu não verás, Marília, cem cativos
    Tirarem o cascalho e a rica terra,
    Ou dos cercos dos rios caudalosos,
    Ou da minada serra.

    Não verás separar ao hábil negro
    Do pesado esmeril a grossa areia,
    E já brilharem os granetes de ouro
    No fundo da bateia.

    Não verás derrubar os virgens matos,
    Queimar as capoeiras inda novas;
    Servir de adubo à terra a fértil cinza,
    Lançar os grãos nas covas.

    Não verás enrolar negros pacotes
    Das secas folhas do cheiroso fumo;
    Nem espremer entre as dentadas rodas
    Da doce cana o sumo.

    Verás em cima da espaçosa mesa
    Altos volumes de enredados feitos;
    Ver-me-ás folhear os grandes livros,
    E decidir os pleitos.

    Enquanto revolver os meus Consultos,
    Tu me farás gostosa companhia,
    Lendo os fastos da sábia, mestra História,
    E os cantos da poesia.

    Lerás em alta voz a imagem bela;
    Eu, vendo que lhe dás o justo apreço,
    Gostoso tornarei a ler de novo
    O cansado processo.

    Se encontrares louvada uma beleza,
    Marília, não lhes invejes a ventura,
    Que tens quem leve à mais remota idade
    A tua formosura.

    (Tomás Antônio Gonzaga, Marília de Dirceu.)

    Dentre os temas presentes na poesia de Gonzaga, destaca-se, nesse texto, a

    a) idealização da natureza pastoril grega.
    b) antecipação da felicidade conjugal.
    c) influência do poema Camões, de Garret.
    d) presença do medievalismo europeu.
    e) dominação de Portugal sobre o Brasil colônia.


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  • Questão 7

    (Ufscar) Lira III


    Tu não verás, Marília, cem cativos
    Tirarem o cascalho e a rica terra,
    Ou dos cercos dos rios caudalosos,
    Ou da minada serra.

    Não verás separar ao hábil negro
    Do pesado esmeril a grossa areia,
    E já brilharem os granetes de ouro
    No fundo da bateia.

    Não verás derrubar os virgens matos,
    Queimar as capoeiras inda novas;
    Servir de adubo à terra a fértil cinza,
    Lançar os grãos nas covas.

    Não verás enrolar negros pacotes
    Das secas folhas do cheiroso fumo;
    Nem espremer entre as dentadas rodas
    Da doce cana o sumo.

    Verás em cima da espaçosa mesa
    Altos volumes de enredados feitos;
    Ver-me-ás folhear os grandes livros,
    E decidir os pleitos.

    Enquanto revolver os meus Consultos,
    Tu me farás gostosa companhia,
    Lendo os fastos da sábia, mestra História,
    E os cantos da poesia.

    Lerás em alta voz a imagem bela;
    Eu, vendo que lhe dás o justo apreço,
    Gostoso tornarei a ler de novo
    O cansado processo.

    Se encontrares louvada uma beleza,
    Marília, não lhes invejes a ventura,
    Que tens quem leve à mais remota idade
    A tua formosura.

    (Tomás Antônio Gonzaga, Marília de Dirceu.)

    Esse poema de Gonzaga foi escrito em estilo

    a) barroco.
    b) clássico.
    c) simbolista.
    d) romântico.
    e) arcádico.


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  • Questão 8

    (UFRGS) Leia o seguinte soneto de Cláudio Manuel da Costa.


    Destes penhascos fez a natureza 
    O berço em que nasci: oh! Quem cuidara 
    Que entre penhas tão duras se criara 
    Uma alma terna, um peito sem dureza!

    Amor, que vence os tigres, por empresa 
    Tomou logo render-me; ele declara 
    Contra o meu coração guerra tão rara, 
    Que não me foi bastante a fortaleza.

    Por mais que eu mesmo conhecesse o dano, 
    A que dava ocasião minha brandura, 
    Nunca pude fugir ao cego engano:

    Vós, que ostentais a condição mais dura, 
    Temei, penhas, temei, que Amor tirano, 
    Onde há mais resistência, mais se apura.

    No soneto, o eu lírico

    a) deixa-se levar pela admiração dos poderosos, embora conheça o dano causado pelas penhas.

    b) adverte as próprias penhas de que, apesar de serem muito resistentes, elas devem temer o poder do Amor.

    c) jamais poderia fugir ao cego engano, por saber do perigo representado pelo ciúme e pela inveja.

    d) avisa às penhas que, apesar de ostentarem beleza e simplicidade, elas devem temer a investida do Amor.

    e) não admite que o Amor vença as penhas, embora reconheça que ele vence os tigres e ataca os reis.

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  • Questão 9

    (UFPE) Observe a imagem a seguir, leia os textos e responda às questões:

    (Rembrandt. Pavões mortos).

    O peru, imperial, dava-lhe as costas para receber sua admiração. Estalara a cauda, e se entufou, fazendo roda: o raspar das asas no chão – brusco, rijo, se proclamara. Belo, belo! Tinha qualquer coisa de calor, poder e flor, um transbordamento. Sua ríspida grandeza tonitruante. Sua colorida empáfia. Satisfazia os olhos, era de se tanger trombeta. [...] Pensava no peru, quando voltavam. Só pudera tê-lo um instante, ligeiro, grande, demoroso. Saiu, sôfrego de o rever. Não viu: imediatamente. Só umas penas, restos, no chão. – "Ué, se matou. Amanhã não é o dia de anos do doutor?" Tudo perdia a eternidade e a certeza; num lufo, num átimo, da gente as mais belas coisas se roubavam. Como podiam? Por que tão de repente? Só no grão nulo de um minuto, o Menino recebia em si um miligrama de morte. 

    (ROSA, Guimarães. “As margens da alegria”. Em: Primeiras estórias).

    Ah! não, minha Marília,
    aproveite o tempo, antes que faça
    o estrago de roubar ao corpo as forças,
    e ao semblante a graça!

    (GONZAGA, Tomás Antônio. Marília de Dirceu).

    Oh não aguardes que a madura idade
    Te converta essa flor, essa beleza,
    Em terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada.

    (MATOS, Gregório de. Obra poética completa).

    0-0) Carpe Diem – frase em latim de um poema de Horácio, popularmente traduzida para Colha o dia ou Aproveite o momento – é uma mensagem que pode ser subentendida na imagem e nos textos.

    1-1) A percepção sobre a fugacidade do tempo na literatura é exclusiva do Arcadismo, como mostra o poema de Tomás Antônio Gonzaga.

    2-2) Sacrificados, os pavões na natureza-morta de Rembrandt, assim como o peru imperial na estória de Rosa, alertam a criança protagonista para a efemeridade da beleza.

    3-3) No livro Primeiras estórias, o primeiro conto, “As margens da alegria”, e o último, “Os cimos”, se complementam, apresentando as mesmas personagens no mesmo ambiente.

    4-4) Nos poemas, a aflição dos poetas recai sobre a consciência da inevitabilidade da futura decrepitude e morte da mulher amada, assim como no conto de Rosa, o Menino se angustia porque sabe que sua mãe vai morrer.


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  • Questão 10

    (UFPE) Inspirados na frase de Horácio Fugere urbem (“fugir da cidade”), os árcades voltaram-se para a natureza em busca de uma vida simples, bucólica, pastoril. O campo, que representa a natureza selvagem controlada e posta a serviço do homem, seria o espaço de eleição, o locus amoenus ou “refúgio ameno” em oposição aos centros urbanos. Leia os textos a seguir e analise as observações feitas em seguida. 


    O faisão, a perdiz e a cotovia/ À tua casa voavam, como que à Arca./O boi afável de bom grado tornava/ Ao matadouro, ao lado do cordeiro,/ E todo animal para lá levava/ A si mesmo em oferenda./ O cardume escamado mais prazer tinha/ Em se banhar em teu prato do que no riacho.” 
    (Thomas Carew) 

    Eu, Marília, não sou algum vaqueiro, 
    Que viva de guardar alheio gado, 
    De tosco trato, de expressões grosseiro, 
    Dos frios gelos e dos sóis queimado. 
    Tenho próprio casal e nele assisto; 
    Dá-me vinho, legume, fruta, azeite; 
    Das brancas ovelhinhas tiro o leite 
    E mais finas lãs, de que me visto. 
    ... 
    Encheu, minha Marília, o grande Jove, 
    De imensos animais de toda espécie 
    As terras, mais os ares, 
    O grande espaço dos salobres rios, 
    Dos negros, fundos mares. 
    Para sua defesa, 
    A todos deu as armas que convinha, 
    A sábia Natureza. 
    Ao homem deu as armas do discurso, 
    Que valem muito mais que as outras armas; 
    Deu-lhe dedos ligeiros, 
    Que podem converter em seu serviço 
    Os ferros e os madeiros; 
    Que tecem fortes laços 
    E forjam raios, com que aos brutos cortam 
    Os voos, mais os passos. 

    (Tomás Antonio Gonzaga. Marília de Dirceu

    0-0) Como mostram os excertos, no período do Arcadismo, o gênero pastoral, tanto na Europa comono Brasil, criou uma visão idealista do campo, como um lugar paradisíaco onde o homem, dominando a natureza e os animais, poderia obter tranquilamente o seu sustento. 

    1-1) A fuga da cidade proposta pela poesia árcade não representava apenas um estado de espírito e uma posição política e ideológica, mas uma realidade, uma vez que esses poetas viviam e trabalhavam no campo. 

    2-2) O fingimento foi uma característica marcante do Arcadismo, através do qual os poetas imaginavam-se ingênuos pastores da Arcádia, região da Grécia antiga, reunidos em confrarias dedicadas à contemplação da vida e à fruição do momento. 

    3-3) Critilo e Doroteu são dois pseudônimos árcades que figuram nas Cartas Chilenas. Nessas correspondências, o culto à natureza se sobrepõe ao conteúdo propriamente político, razão por que a obra é considerada expressão do Arcadismo brasileiro. 

    4-4) Enquanto a lírica brasileira do período árcade dedicou-se ao pastoralismo, a narrativa continuou a investir numa elegia da floresta virgem e de seu habitante, o índio, através dos épicos de Basílio da Gama e de Frei Santa Rita Durão.


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